Flávio, engenheiro, meio bobo, perfumado,
queria jogar bilhar. Andava de lá pra cá, enviava mensagens de texto aos amigos
e convidava todo mundo pra jogar bilhar. Flávio queria um guarda chuva pra pisar na água sem se molhar e usava
meu joelho pra apoiar os braços peludos escondidos no casaco branco. Eu tentei
explicar que homens estranhos são, aos meus olhos, os mais atraentes. Flávio me
olhava, enquanto eu olhava pro chão, e perguntava se era estranho. De mim Flávio
só ouviria sim. Pro resto da vida sim. Por mil vezes sim. Sim, sim, sim. Flávio
desdenhava jornalistas e queria saber se havia algum defeito em seu rosto que o
tornava belo. Sim, sim, sim. Flávio, agora imóvel, queria ser chamado de Vitor. Tinha cara de
Vitor, era pra ser Vitor, tinha tudo pra ser Vitor. Mas era Flávio. Lindo, estranho, engenheiro, meio bobo, perfumado e queria
mais que tudo nessa vida jogar bilhar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário