sexta-feira, 27 de abril de 2012

sobre o engenheiro que só queria jogar bilhar


Flávio, engenheiro, meio bobo, perfumado, queria jogar bilhar. Andava de lá pra cá, enviava mensagens de texto aos amigos e convidava todo mundo pra jogar bilhar. Flávio queria um guarda chuva pra pisar na água sem se molhar e usava meu joelho pra apoiar os braços peludos escondidos no casaco branco. Eu tentei explicar que homens estranhos são, aos meus olhos, os mais atraentes. Flávio me olhava, enquanto eu olhava pro chão, e perguntava se era estranho. De mim Flávio só ouviria sim. Pro resto da vida sim. Por mil vezes sim. Sim, sim, sim. Flávio desdenhava jornalistas e queria saber se havia algum defeito em seu rosto que o tornava belo. Sim, sim, sim. Flávio, agora imóvel, queria ser chamado de Vitor. Tinha cara de Vitor, era pra ser Vitor, tinha tudo pra ser Vitor. Mas era Flávio. Lindo, estranho, engenheiro, meio bobo, perfumado e queria mais que tudo nessa vida jogar bilhar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário